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O Diabo — carta de Tarô, baralho Tarô Thoth
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O Diabo

Tarô Thoth
aprisionamentoobsessãodesejo brutosombra interior

A energia criadora em sua forma mais material: a corporeidade, o desejo, a fertilidade, a alegria do simples fato de existir — sem vergonha. O 'Diabo' é o Pã interior, não o inimigo exterior.

A imagem da carta

A Árvore da Vida com raízes transparentes (vê-se a seiva saltando em seu interior) contra as formas fantásticas da loucura do inverno voltando-se para a primavera. Diante da Árvore ergue-se um bode himalaio com um olho na fronte (Ayin — 'olho'), o deus Pã sobre os mais altos e secretos montes da Terra. Sua energia criadora está oculta pelo símbolo do Cetro do Adepto Chefe, encimado por um globo alado e as serpentes gêmeas de Hórus e Osíris. O tronco da Árvore atravessa os céus — acima está o anel do corpo de Nuit; o eixo do Cetro desce até o centro da Terra. Os chifres do bode são espiralados — o movimento da energia que tudo permeia. Sob a Árvore estão as formas fantásticas da 'divina loucura da primavera'.

Interpretação

O Diabo é a força vital, material e criadora em toda a sua plenitude bruta: a corporeidade, o desejo, a fertilidade, a alegria do simples fato de existir, sem vergonha e sem consideração pela 'decência'. Este é Pã Pangenetor, o Todo-Gerador, que encontra êxtase em todo fenômeno, ainda que pareça repelente; 'ele transcende toda limitação, ele é o Todo'.

Há uma clara camada psicológica a acrescentar: a carta simboliza o lado sombrio de uma pessoa e tudo aquilo que nos recusamos a admitir sobre nós mesmos. Importa reconhecer seus verdadeiros motivos, não suas 'boas intenções', olhar para aquilo que você não ousou olhar, e compreender o que o retém e de que você depende.

O conselho é aceitar sua natureza terrena, corporal e desejante, fazer sua vontade, não abrandada por propósito e não escravizada pela cobiça do resultado. A fórmula da carta: 'a vontade pura, não abrandada por propósito, livre da cobiça do resultado, é perfeita em todos os aspectos'. Reconheça que da escuridão nasce a luz, que o lado sombreado, 'não amado', é Lúcifer o Portador da Luz.

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Conselho e prognóstico

O conselho da carta

Aceite sua natureza terrena, corporal e desejante sem vergonha — encontre êxtase no simples fato de existir, em vez de demonizar o desejo. Faça sua vontade livremente: a vontade pura, não escravizada pela cobiça do resultado, é perfeita, enquanto a cobiça do resultado é exatamente o que arruína a questão. Reconheça seus verdadeiros motivos, não suas 'boas intenções'; olhe para aquilo que você não ousou olhar, e compreenda o que o retém e de que você depende. Lembre-se: o 'diabo' é o Pã interior, não o inimigo exterior, e o lado sombreado e não amado é Lúcifer o Portador da Luz. Mas cuide para que a força não se torça em obsessão: o vínculo entre espírito e carne é sagrado apenas enquanto não houver correntes nele.

O que o prognóstico reserva

Adiante está uma poderosa onda de força material, corporal e criadora: desejo, ambição, fertilidade, abundância, uma erupção sensual ou criativa, uma realização na matéria. É um enraizamento na carne e na terra, a alegria de existir sem vergonha. Pode também haver um confronto com sua sombra, uma tentação, uma prova de seus verdadeiros motivos. A sombra deste prognóstico: se a força se torcer em correntes, então vêm a chantagem (a que você é submetido ou a que você mesmo recorre), o perigo da dependência e do vício nocivo, a tentação de quebrar seus princípios sob 'considerações superiores', a perda do senso de medida. A direção depende de você reconhecer aquilo de que depende.

O Diabo invertida

O Diabo invertido é essa mesma força material degenerada em correntes: uma obsessão por coisas, pela carne, pelo poder; a cobiça do resultado, a corrupção da vontade pura. A cegueira de Capricórnio sem sua inocência criadora — avidez, dependência, apego às 'alturas terrenas' como um fim em si mesmo. Este é o alerta direto da carta: uma situação de chantagem (a que você é submetido ou a que você mesmo recorre), o perigo do vício nocivo, a tentação de quebrar seus princípios sob 'considerações superiores', a perda do senso de medida. Ou medo e vergonha diante da própria natureza corporal, a demonização do desejo, a projeção do 'diabo' para fora em vez de reconhecer o Pã interior. Apego, materialismo sem espírito, energia torcida em uma espiral de obsessão em vez de uma espiral de ascensão.

A carta nas tiragens

A mesma carta é lida de formas diferentes conforme a tiragem e a pergunta — compare tiragens reais:

No que difere de Waite

O Diabo — baralho Rider-Waite-Smith
Rider-Waite-SmithO Diabo
Tarô ThothO Diabo

A carta mantém o nome e o número XV em ambos os baralhos, mas a diferença na valoração da imagem é uma das mais acentuadas do baralho. Waite lê o Diabo principalmente como um alerta: dependência, forte atração emocional, ausência de liberdade, uso indevido do poder e negação; correntes, tentação, perda da medida — a carta do lado sombrio, diante da qual é preciso ter cautela. Aqui essa sombra é reavaliada: o Diabo não é o inimigo, mas o polo oposto necessário, Pã o Todo-Gerador e Lúcifer o Portador da Luz, a criança caída na noite de onde a luz nasce; a corporeidade, o desejo e a força criadora na matéria são aqui sagrados e sem pecado. O motivo comum (o confronto com a própria sombra, com a tentação, com a dependência) permanece, mas Waite acentua a armadilha e o perigo, enquanto aqui é a natureza sagrada e criadora desse mesmo impulso.

WaiteTarô Thoth
ValoraçãoUm alerta: dependência, correntes, uma armadilha.Um impulso criador sagrado, Pã e Lúcifer o Portador da Luz.
Corpo e desejoO lado sombrio, a perda da liberdade.Sagrado e sem pecado; a alegria do simples fato de existir.
O 'Diabo'O inimigo e a tentação exteriores.Pã interior, o polo oposto necessário.

Simbolismo e correspondências

A letra Ayin ('olho'), o caminho de Tiphereth a Hod; o signo de Capricórnio (regido por Saturno, com Marte em exaltação). O número 15. O regente Saturno é Set, o deus de cabeça de asno dos desertos; junto com o Louco e o Eremita (Aleph, Yod, Ayin) forma o nome IAO.

Elemento
Terra
Astrologia
Saturno em Capricórnio — a força que aprisiona por meio da estrutura, do medo e da necessidade material
Arcano
Maior

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